XV Congresso Mineiro de Pediatria termina suas atividades no Grande Teatro do Palácio das Artes

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Após dias de atividades intensas no Grande Teatro do Palácio das Artes, o XV Congresso Mineiro de Pediatria chegou ao seu último ciclo de conferências e casos clínicos nesta sexta, 8, com grande público e temáticas diversas. Na parte manhã, o palestrante Marcos Nolasco fez questão de enfocar alguns cuidados imprescindíveis no trabalho de pediatras, como a atenção especial ao bem-estar dos cuidadores dos pacientes, assim como uma abordagem que leve em conta processos psicossociais mais amplos. “Devemos tentar trabalhar sempre na horizontalidade e de maneira generosa, mesmo no que diz respeito à parte mais científica. É necessária uma mudança de paradigma”, comentou.

Após sua conferência, outras duas conferências e um caso clínico fizeram parte da manhã. Assuntos como o acolhimento do adolescente no serviço de saúde, os desafios das arboviroses e a pediatria no contexto contemporâneo – essa última também ministrada por Nolasco –, foram destacados pelos palestrantes. A vivência da sexualidade durante a adolescência, saúde esportiva e o uso da internet, por exemplo, constituíram o caso “Acolhimento do adolescente no serviço de saúde”.

Dificuldades de aprendizado e problemas urinários

Os pediatras José Maria Penido e Mariana Duarte assumiram a primeira atividade da tarde, a conferência sobre infecção no trato urinário. assumiu a primeira atividade e chamou atenção para a prática da circuncisão após o nascimento de alguns bebês. “Não vejo necessidade em fazer a remoção do prepúcio do pênis de todos os rapazes apenas com a mentalidade de evitar problemas futuros que podem nem existir”, compartilhou ele.

O papel das evidências, por sua vez, perpassou todas as falas de Flávia Rodrigues na conferência “Aprender a aprender a fazer a diferença”. Para ela, “medicina baseada em evidências não é falar o que o paciente deve fazer. É preciso um exercício de se perguntar ‘Isso faz diferenças significativas?’”. Ao final do momento, no qual Flávia destacou a importância de boas metodologias pediátricas, o público foi convidado a conhecer o trabalho do grupo Mais Evidências – conjunto de médicos interessados no ensino e o aprendizado compartilhado de Medicina Baseada em Evidências (MBE).

Por que algumas crianças têm tanta dificuldade para aprender? A partir dessa pergunta, um grupo moderado por Claudia Siqueira e composto por pediatras e uma psicóloga refletiram sobre a avaliação neuropsicológica precoce, dimensões que podem afetar o desempenho do paciente e questões sociais relacionadas à dificuldade de aprendizado de algumas pessoas. “Há uma série de coisas que influenciam esse desempenho: só aqui, consigo citar a própria habilidade individual de cada um, a cultura, as crenças e valores dos meios no qual a criança está inserida”, Cláudia ressaltou enquanto analisava o suposto caso de uma criança que foi para a escola depois do esperado para sua idade.

Curar e cuidar

Um público amplo esperou pela presença de Filomena Camilo do Vale, responsável pela conferência “Importância da espiritualidade na saúde”, a última do congresso, no final da tarde. Sua apresentação em torno das relações entre sentimento e intelecto destacou a importância de conhecer o paciente em sua totalidade para não só atendê-lo, mas praticar a arte do cuidado. “Eu não estou tratando apenas de uma pneumonia, mas do João, da Paula, de pessoas que são muito mais que suas pneumonias. Atendo por inteiro, não só pedaços”, contou.

O Congresso finalizou com a discussão do caso clínico sobre “Os desafios da criança com espectro autista”, com o Grande Teatro do Palácio das Artes ainda lotado.