Fórum discute a prevenção da gravidez na adolescência

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Foto: Túlio Costa/AMMG

Na última sexta-feira (1/2), a Associação Médica de Minas Gerais (AMMG) foi palco do 1º Fórum Mineiro de Prevenção da Gravidez na Adolescência, uma realização da Sociedade Mineira de Pediatria (SMP), da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (SOGIMIG), da AMMG e do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG). O evento, que recebeu mais 160 pessoas, reuniu médicos, residentes, acadêmicos de medicina, demais profissionais de saúde e professores. A ideia foi unir esforços para discutir a questão à luz da nova lei que definiu o primeiro dia do mês de fevereiro como marco da Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência.

Em uma breve abertura, a presidente da AMMG, Maria Inês de Miranda Lima, disse que é papel da sociedade civil se organizar e atuar na prevenção da gravidez na adolescência. Cláudia Navarro, presidente do CRM-MG, falou que a sanção da lei é apenas um incentivo para se discutir a questão. Para a presidente da SMP, Marisa Lages Ribeiro, a prevenção da gravidez na adolescência não é um assunto exclusivo do médico, do pediatra, precisa ser discutida por toda a sociedade, na família e na escola, por isso as secretarias de educação e saúde foram convidadas. “Sabemos das consequências da gravidez na vida de uma mulher adolescente, da criança que vai nascer, precisamos falar também sobre as consequências para o homem adolescente”, alertou Marisa. O presidente da SOGIMIG, Carlos Henrique Mascarenhas Silva, lembrou que a mortalidade materna é maior na adolescente do que na mulher adulta. “Estamos falando aqui de prevenção, que é a melhor forma de dar saúde à população”, comentou.

Perfil

Os dados estatísticos da situação atual da gravidez na adolescência foram apresentados pela ginecologista Cláudia Salomão, uma das idealizadoras do Fórum. Ela mostrou que no Brasil a queda da gravidez na adolescência entre 2005 e 2015 foi de 17%, segundo dados do Ministério da Saúde, o que ainda é pouco. A ginecologista também mostrou alguns fatores predisponentes à gravidez nessa etapa da vida, entre eles, a menarca, sexualização e sexarca (primeira relação sexual) precoces, relação parental instável e falta de diálogo com os pais. “Em alguns locais onde as condições socioeconômicas são desprivilegiadas, a gravidez ainda é uma forma de ascensão”, comentou Cláudia fazendo referência ao fato de que o Brasil é o 4º país no mundo em números de casamentos infantis.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a mortalidade materna é a das principais causas de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos na região das Américas e no Brasil. E, apesar da tendência de queda da taxa de fecundidade na adolescência, o número de meninas grávidas de 10 a 14 anos entre 2005 e 2015 não mudou, foram mais de 26,5 mil mães nessa faixa etária em 2015. “Essa realidade ainda é muito preocupante, temos que tentar mudar isso!”, finaliza Cláudia.

Aspectos psicossociais e métodos contraceptivos

A pediatra Ana Maria Lopes, presidente do Departamento Científico (DC) de Comportamento e Desenvolvimento da SMP, falou no Fórum sobre as repercussões na vida psíquica e social de uma gravidez precoce. Sua principal indagação foi “Se tecnicamente sabe-se como prevenir a gravidez, por que as adolescentes engravidam?”. Segundo Ana Maria, essa é uma questão que deve ser feita para os adolescentes, mas a também pediatra Cristiane Cunha, presidente do DC de Adolescência da SMP, chamou atenção para o acolhimento desse público no Sistema de Saúde. “A criança frequenta muito bem o Centro de Saúde com sua família até os cinco anos, em Belo Horizonte. Já o adolescente não enxerga esse local como seu”, explica Cristiane. Ela ainda acrescenta: “precisamos abrir a janela da escuta, ouvir o jovem e suas questões”.

E é exatamente para esta direção que caminha um projeto de acolhimento de adolescentes no Centro de Saúde do B. Floramar, na Regional Norte de Belo Horizonte. De acordo com Gislene Nogueira, assistente social desse projeto, são 10 anos de trabalho e reuniões periódicas com meninas de 12 a 19 anos. “As adolescentes trocam experiências e aprendem com elas mesmas”, conta Gislene. Para ela, o maior problema é a falta de uma Política Nacional de Saúde do Adolescente.

A apresentação sobre a contracepção na adolescência ficou a cargo do ginecologista e membro do Comitê de Infância e Adolescência da SOGIMIG, João Tadeu Leite dos Reis. De acordo com ele, há uma tendência mundial em se indicar os Métodos Contraceptivos Reversíveis de Longa Duração (LARC – sigla em inglês) para adolescentes. “A ideia de que o DIU, por exemplo, não poderia ser usado em mulheres sem filhos não existe mais”, explicou.

Aspectos éticos legais

O 1º Fórum Mineiro de Prevenção da Gravidez na Adolescência terminou com uma discussão sobre os aspectos éticos e legais no atendimento aos adolescentes. A ginecologista Cláudia Salomão voltou ao palco para mostrar a proposta de Protocolo da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), ainda em andamento. Para falar sobre proposta da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) foi convidada a pediatra paulista Maria Ignez Saito. Compondo a mesa ainda estavam a promotora de justiça da Infância e Adolescência, Ângela Fabero, e o pediatra Eduardo Carlos Tavares, presidente do DC de Bioética da SMP. A principal questão levantada foi como proceder em casos de menores de 14 anos grávidas, pois, segundo o Código Penal Brasileiro, “ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 anos” é estupro de vulnerável.

 

 

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