Campanha do transporte seguro de recém-nascido em risco

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Caros pediatras,

 

Nesse mês de agosto, a Sociedade Mineira de Pediatria, em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria, lançará uma campanha pioneira em prol da criança em nosso estado: TRANSPORTE NEONATAL SEGURO: PARA GARANTIR UMA VIDA! O lançamento vai acontecer na abertura da IX Jornada Mineira de Atualização Amamentação.

Nossos objetivos são ambiciosos e visamos a conscientização dos gestores públicos e privados da necessidade urgente de capacitarem 100 % de suas equipes médicas e de enfermagem para que possam realizar a transferência do neonato de forma adequada e segura, garantindo assim, mais que a sua sobrevivência, mas também qualidade de vida e redução das possíveis sequelas.

Sabemos que muitos recém-nascidos de risco nascem em hospitais com recursos limitados, precisam ser transferidos para outra unidade, outra cidade ou precisam ser transportados dentro do próprio hospital onde nasceram, para outros setores (UTI neonatal, bloco cirúrgico, setores de propedêutica,dentre outros) e o momento do transporte é sempre delicado e de alto risco. Por isso é necessária uma atenção especial ao sistema do transporte utilizado. Protocolos para redução de risco são fundamentais para que os recém-nascidos cheguem ao destino nas melhores condições possíveis e possam receber o tratamento apropriado. As consequências de um transporte inadequado incluem a hipotermia, hipóxia, hipoglicemia e distúrbios metabólicos que se associam com aumento do risco de lesões cerebrais e do risco de morrer.

Os dados recentemente publicados pelo IBGE mostram a redução da mortalidade infantil no Brasil de 69,1 por mil nascidos vivos, em 1980, para 16,7 por mil, em 2010, o que representou queda de 75,8%. Essa redução é motivo de orgulho para todos nós brasileiros e reflete o resultado concreto de ações governamentais e não governamentais no campo da saúde e melhoria das condições de vida da população. Ações multidiscisplinares como o estímulo ao aleitamento materno, melhoria nas condições de saneamento básico e higiene pública, campanhas de vacinação, maior acesso da população aos serviços de saúde, maior escolaridade da mãe e política de assistência básica às gestantes são programas que efetivamente têm forte impacto na diminuição da mortalidade infantil e infanto-juvenil.

No entanto , nós pediatras sabemos que muito há por fazer, já que nossos índices estão ainda bem distantes dos países mais desenvolvidos , em que a mortalidade oscila entre 4 e 8 óbitos em menores de um ano para cada mil nascidos vivos.

Em Minas, nossos índices são os piores do sudeste. Temos 14,6 mortes para cada mil crianças, enquanto São Paulo apresentou o melhor resultado do sudeste, com 11,4, Espírito Santo tem taxa de 12 e o Rio de Janeiro apresenta 13,2 mortes para cada grupo de mil crianças.

 

No Brasil a mortalidade neonatal , que acontece nos primeiros 28 dias de vida caiu menos acentuadamente e representa cerca de 70% do total da mortalidade no primeiro ano de vida. Dados da Unicef e Organização Mundial de Saúde mostram que três quartos de todas as mortes de recém-nascidos ocorre na primeira semana de vida e no Brasil 26% acontecem nas primeiras 24 horas de vida.E o pior: até dois terços dessas mortes podem ser evitadas se medidas de saúde eficazes forem realizadas no momento do nascimento e durante a primeira semana de vida.

Diante desse cenário torna-se urgente implementarmos mais ações com objetivo de continuarmos o processo de redução da mortalidade infantil em Minas e no Brasil .Um importante caminho é a priorização, ampliação e melhoria do acesso dos recém-nascidos aos serviços de saúde de qualidade.

A concentração de óbitos no primeiro dia de vida indica a necessidade de reforçar a atenção à gestante, ao parto e ao recém-nascido. As principais causas de mortalidade neonatal se associam ao baixo peso ao nascer, prematuridade e asfixia. Nesse sentido, a presença do Pediatra na sala de parto, capacitação continuada de pediatras e enfermeiros em procedimentos de atendimento ao RN grave, como treinamento em reanimação neonatal e transporte, são indispensáveis.

Muitos são os desafios a superar e inúmeras as ações necessárias para melhorarmos nossos índices de mortalidade neonatal e infantil , mas os investimentos na infância e adolescência são decisivos na melhoria das condições de vida da Criança de hoje ,que será o Adulto de amanhã. O propósito maior da nossa campanha será de sensibilizar, mobilizar e capacitar a comunidade e todos que prestam assistência direta e indireta ao neonato, para que possamos ¨ Garantir mais vidas a cada dia ¨!

 

Raquel Pitchon

Presidente da Sociedade Mineira de Pediatria