Momento Científico debate a abordagem da Covid-19 em pacientes pediátricos

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Na última terça-feira, dia 20/04, a Sociedade Mineira de Pediatria realizou de forma virtual o segundo Momento Científico do ano de 2021, com o tema "Covid-19 em crianças e adolescentes: atualizações". A mesa foi composta pelas infectologistas pediátricas membros do DC de Infectologia da SMP, Andrea Lucchesi, Daniela Caldas e Lílian Diniz, contando com a moderação de Gabriela Araújo Costa, diretora de Comunicação da Sociedade e infectologista pediátrica.

O evento foi guiado por perguntas chave sobre as principais abordagens dos casos de infecção pelo Coronavírus em pacientes pediátricos, além disso, o público presente na sala pôde interagir com as debatedoras enviando perguntas para esclarecer as dúvidas. Entre tantas informações relevantes compartilhadas durante o evento, foram destaque da edição as discussões sobre a ocorrência de outras viroses respiratórias no período de outono, a importância da testagem no tratamento da Covid-19, os principais procedimentos recomendados pelas organizações de referência, o diagnóstico e tratamento da Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica e as avaliações das especialistas sobre o retorno às aulas escolas infantis.

A preocupação com o aumento da aparição de doenças respiratórias durante a mudança de estação climática trouxe contribuições importantes para o Momento Científico desta terça-feira. A debatedora Andrea Lucchesi pontuou que é necessário que pediatras fiquem em alerta ao receberem casos suspeitos de Covid-19 e reforçou a importância de conseguir identificar o agente causador dos sintomas de forma rápida com fins de realizar um tratamento eficaz. “A diferença que vemos nos casos de Covid-19 em relação aos casos da gripe é que são crianças acometidas pelo Corona geralmente são um pouco mais velhas e a maioria das internações são por conta da necessidade extrema de utilizar o suporte de oxigênio devido ao grande comprometimento das funções respiratórias”, lembra Lucchesi. A especialista também ressalta que, na grande maioria dos casos, as crianças apresentam o quadro leve ou moderado da doença, no qual o tratamento é realizado em casa, e por isso a atenção deve ser redobrada para que se evite a contaminação de contactantes.

Testagem

Nesse mesmo sentido, a debatedora Lílian Diniz chamou a atenção para o carácter fundamental da testagem para informar aos profissionais e ao núcleo familiar sobre como proceder da melhor maneira possível. Lílian ressaltou que: “realizar todas as testagens nos pacientes é importante para que possamos ampliar os cuidados com a exposição aos vírus e também ficarmos alertas sobre outras possíveis viroses que da mesma forma merecem atenção. Embora não haja a necessidade de testar imediatamente a família que esteve em contato com a criança infectada ou com suspeita de Covid-19, é muito importante que os contactantes fiquem atentos principalmente à manifestação de sintomas no decorrer dos 14 dias após o contato, mas ainda não há indicação de fazer a testagem sem ter o tempo prévio de melhor detecção do vírus, que é de cinco dias após o início dos sintomas.”

Em relação ao tratamento da forma grave da doença, ambas as debatedoras reiteraram a necessidade de acompanhar as atualizações dos protocolos e estudos validados pelos principais órgãos de referência, como o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a Organização Mundial da Saúde, a Sociedade Brasileira de Pediatria, The BMJ e Associação Brasileira de Infectologia. As debatedoras revisaram e fizeram a indicação de variadas formas de condução do tratamento da Covid em pacientes pediátricos durante o evento, principalmente no que se refere ao uso correto de corticoides. A convidada Daniela Caldas chamou atenção para a contra indicação do uso de corticoides administrados em casa pelo próprio paciente nos casos leves. Daniela afirma que: “se o medicamento for indicado antes da hora, quando o paciente precisar utilizá-los na internação devido ao agravamento do quadro ele pode correr o risco de ficar imunodeprimido por uso estendido do corticoide - o que levará a outros problemas.” Nesse sentido, as convidadas reiteraram que não existe tratamento medicamentoso de profilaxia da Covid-19 fora do ambiente hospitalar.

SIM-P

Os pacientes pediátricos necessitam de atenção específica quando se fala na Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica após a infecção pelo Coronavírus. Andrea Lucchesi foi a responsável por conduzir uma ampla revisão dos principais protocolos de anamnese da Síndrome durante o Momento Científico. A especialista afirma que a aparição da doença tem ocorrido entre 6 a 8 semanas após o quadro respiratório e que é necessário que o pediatra pesquise e monitore principalmente a febre, vômito, os indicativos de inflamação nos pacientes, além dos testes de busca do PCR ou a presença de anticorpos nos pacientes. A colega da mesa, Lílian Diniz, complementou a discussão lembrando que embora os quadros leves e moderados não necessitem de acompanhamento clínico posterior, é necessário que os profissionais estejam atentos à possibilidade da aparição da Síndrome, seja no paciente sintomático ou naqueles que nem mesmo apresentaram os sintomas da Covid-19.

Dias melhores

As especialistas também trouxeram certo nível de ânimo e esperança de tempos melhores para a área pediátrica. Além de lembrarem que já existem estudos investigando o uso de vacinas em crianças e adolescentes, ambas reiteraram os baixos índices de mortalidade por Covid-19 nos pacientes pediátricos. Também houve comentários positivos no que diz respeito aos ganhos para a saúde mental e para o desenvolvimento saudável que pode ser proporcionado com o retorno das aulas presenciais na educação infantil. Lílian Diniz afirmou que: “crianças menores de 10 anos têm menos probabilidade de se infectar que os adultos, assim como sua capacidade de transmissão também é menor. O retorno às aulas traz um risco, mas avaliando o risco-benefício talvez nesse momento valha a pena realizar essa volta às aulas seguindo os protocolos de proteção. Os pais devem fazer parte da cadeia de retorno, se as crianças tiverem qualquer sintoma ou suspeita as escolas precisam ser avisadas para que as melhores medidas possam ser tomadas. A parceria escola e pais é fundamental.” A infectologista ainda pontua que se todos colaborarem, haverá mais benefícios do que prejuízos no retorno às aulas. Todas as convidadas reconheceram o importante papel que a SMP empenhou na investigação e avaliação sobre o retorno das atividades escolares em Belo Horizonte.