Volta às aulas: SMP participa de Tribuna Livre em reunião da Câmara Municipal de Juiz de Fora

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26/08/2021



O segundo semestre de 2021 significou para muitas cidades de Minas Gerais o retorno gradativo, seguro e facultativo das aulas presenciais para crianças e adolescentes, principalmente para o ensino infantil. No entanto, na cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, a previsão para o retorno ainda está indefinida. Com objetivo de discutir a volta às aulas, apresentando uma visão técnica e científica, o vereador e pediatra Antônio Aguiar convidou a Sociedade Mineira de Pediatria (SMP) para participar da Tribuna Livre da Reunião Ordinária da Câmara Municipal de Juiz de Fora, desta terça-feira, 24 de agosto.

Além da presença virtual do presidente da SMP, Cássio Ibiapina, que fez uma explanação completa sobre a Covid-19 em crianças e a importância de se voltar para as escolas, estavam na Reunião as representantes da Regional Zona da Mata da SMP: Maria Amália Garcia da Silva, presidente; Mariângela Ribeiro Silva Duarte, vice-presidente; Marta Duarte, diretora de integração das Regionais da SMP; Mirna Salomão Marques, membro do DC de Segurança da SMP; e Patrícia Dahan, pediatra. 

Dia da Infância 

Para começar sua fala, o presidente da SMP comentou que as palavras que norteiam as discussões sobre a volta às aulas em Minas Gerais são: serenidade, sensatez e equilíbrio. “Sobre esse assunto, precisamos falar algo mais. Uma das coisas que percebo é que falta informação, conhecimento. Então, o tema de minha fala é o ‘Covid-19 em pediatria: as características clínicas em crianças e adolescentes e as algumas experiências no estado’”, disse Ibiapina. Ele ainda lembrou que 24 de agosto é o Dia da Infância, uma data especial para “não esquecermos nossas crianças, não deixa-las invisíveis, como aconteceu em boa parte da pandemia”. 

Ibiapina citou detalhadamente e de forma didática os fatores que contribuem para as crianças estarem evoluindo bem clinicamente até os dias atuais e ainda a questão da viremia nas diferença faixas etárias como até 6 anos, de seis a 12 anos e acima de 12 anos. 

Resiliência 

“As crianças foram resilientes, se adaptaram como nenhum de nós nesta pandemia. Mas chegou um momento que a saúde mental das crianças passou a não tolerar tamanho esquecimento. Vivemos uma emergência na saúde pública, no que diz respeito à saúde mental das crianças”, disse o presidente da SMP.

Para Ibiapina a decisão do retorno às aulas deve ser intersetorial. “Precisamos construir o conhecimento com equipes multidisciplinares, ouvir os professores, ouvir as escolas, ouvir experiências de outras cidades e o poder público”. Terminando a sua fala, ele apresenta uma Matriz desenvolvida pelo Comitê de Enfrentamento à Covid da Prefeitura de Belo Horizonte, que coloca Juiz de Fora em um momento propício para voltar com a educação infantil uma vez que apresenta um percentual de 68% na data de 20 de agosto. 

Retorno seguro e híbrido

A vice-presidente da Regional Zona da Mata, Mariângela Duarte, usou a tribuna da Câmara dos Vereadores de Juiz de Fora para falar sobre a situação na cidade, dizendo que as doenças mentais dessas crianças e adolescente aumentaram em uma proporção inaceitável. “Acreditamos que dentro dos modelos já existentes, dos protocolos bem embasados, já podemos ter a abertura de forma segura e híbrida, em que a criança e seus familiares vão decidir pelo retorno ou não”, explanou Mariângela. 

Fechando as falas da SMP na Reunião, a pediatra Mirna Salomão Marques, pediu aos vereadores que refletissem profundamente nas bases conceituais da Casa do Povo. “O que o povo de Juiz de Fora precisa agora? E especificamente, o que a população infantil precisa agora?”, perguntou. E ela acrescentou: “Os professores que fazem o primeiro diagnóstico dos problemas mais graves da atualidade, a saúde mental das crianças. Os professores são nossos olhos, nossos ouvidos e as crianças estão precisando dos professores, nas escolas”.

O tema volta às aulas ainda foi comentado por alguns vereadores presentes na reunião, que puderam explanar seus pontos de vista, levantando o papel da ciência nesta decisão e a importância dos professores não só para a educação, mas para a saúde de crianças e adolescentes.

Confira a Reunião completa: